A Mesbla voltou
Conforme Dinheiro antecipou, uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro renasce com uma loja virtual.
Nº EDIÇÃO: 629 | 28.OUT – 10:00 | Atualizado em 20.02 – 19:31 ISTO É DINHEIRO

Agora é oficial: a Mesbla está de volta. Conforme DINHEIRO antecipou com exclusividade na capa de sua edição 591, de janeiro passado, o empresário Ricardo Mansur, dono da marca, vai ressuscitar uma das redes varejistas mais conhecidas do País. O retorno será no mundo virtual. Nos últimos dias, entrou no ar o endereço eletrônico www.mesbla.com.br. A página, por enquanto, não tem produtos à venda, mas reservou um espaço para que empresas interessadas em fornecer para a Mesbla preencham uma ficha de cadastro. Segundo apurou a reportagem, o novo endereço na internet terá como foco o público feminino das classes A e B. Inicialmente, serão vendidos principalmente acessórios, maquiagens e produtos de decoração para a casa. O site já recebeu propostas de parceria. “Após o cadastro, nos mandam um e-mail solicitando mais dados”, afirma uma fabricante de meias e roupas femininas. “Sabemos que eles não estão cadastrando ainda fornecedores de eletroeletrônicos e de artigos como geladeiras e máquinas de lavar.

Tudo indica que a Mesbla vai começar pequena.” Segundo informações confirmadas por dois fornecedores, o site da rede começa a vender mercadorias em abril de 2010. Na avaliação de José Roberto Martins, sócio da GlobalBrands, a estratégia de focar apenas o público feminino de alta renda é arriscada. “Estão pegando uma marca combalida de rede de departamentos, que vendia de ferramentas a barcos, para transformá-la numa marca de produtos para a mulher”, diz Martins “Para isso dar certo, será preciso gastar muito dinheiro em comunicação.”

Mansur negociou o licenciamento da marca Mesbla para um grupo de executivos do setor varejista, donos de uma empresa chamada Mercantil Brasileira. Essa companhia será a responsável pelos negócios do novo site.
No acordo firmado, o empresário embolsará royalties mensais pelo uso da marca Mesbla – algo que se tornou possível somente após uma longa negociação que exigiu de Mansur muito jogo de cintura e persistência. Desde o ano passado, o empresário sondava redes varejistas e amigos próximos para colocar na rua um novo plano de investimentos envolvendo a companhia. Em 2008, apurou DINHEIRO, as marcas Mappin e Mesbla foram levadas a leilão por R$ 8 milhões.
Não apareceram interessados. Inicialmente, ele estudou a possibilidade de relançar o site e bancar o projeto sozinho. Depois de perceber que seria muito difícil viabilizar o negócio, acabou optando pelo aluguel da marca. “Foi uma forma mais rápida de Mansur conseguir novos recursos”, revela um varejista que compareceu ao leilão da Mesbla no ano passado. “O investimento iria exigir tempo e Mansur está mais focado agora no negócio de usinas.” Em agosto, o empresário adquiriu a Central Energética Ribeirão Preto (Cerp).
Vai dar certo? Novo site da rede deve focar o público feminino das classes A e B, mas analistas criticam estratégia
O primeiro teste com o endereço eletrônico da Mesbla foi feito no final do ano passado, quando a página esteve em funcionamento, durante pouco tempo, para que a Mercantil Brasileira pudesse ter uma ideia do número de acessos ao site. Por enquanto, os internautas acessam apenas a página inicial no endereço eletrônico. Isso porque, para iniciar a venda de produtos, será necessário fechar um volume elevado de contratos de fornecimento com a indústria.
Na prática, esse é o ponto mais delicado do projeto. Quando estava prestes a quebrar, a varejista se envolveu em uma série de pendengas judiciais e precisou renegociar pagamentos com credores. O retorno da Mesbla foi possível porque a marca não foi afetada pelas ações contra a empresa na Justiça. Existem 25 execuções fiscais nas quais constam como réus a varejista Mesbla e o próprio Mansur.
“Quem vai vender novamente para a rede teria que entender que não está fazendo negócio com Mansur, mas com uma outra empresa do mercado”, diz um especialista em varejo. Procurados pela reportagem, o empresário Ricardo Mansur e a direção da Mercantil Brasileira não foram localizados.
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