Branding: Marca Sharp volta ao Brasil

Em artigo de Roberta Namour para a IstoÉ Dinheiro, publicada em 22 de maio de 2009, o consultor de branding José Roberto Martins analisa a volta da Sharp Brasil e afirma que ser reconhecida no exterior não é garantia de sucesso no Brasil: o posicionamento da marca é fundamento para o seu renascimento. Acompanhe abaixo, ou direto no site da IstoÉ Dinheiro.

Desta vez é Para valer?

Foram três tentativas de retorno e quase dez anos fora das lojas. Agora, a Sharp promete voltar a fabricar eletrônicos no Brasil

Em meados de 2002, quando a Sharp agonizava na tentativa de entregar os seus últimos produtos adquiridos por clientes no Brasil, um temor sondava a cabeça do comando do grupo. Já com a falência decretada na época, Sérgio Machline, o presidente da empresa e filho do fundador, Mathias Machline, admitiu aos mais próximos o seu pesar ao ver a marca tão maltratada. “Lutamos para que isso não acontecesse. Não deu”, disse a amigos. Depois de muitos tropeços e nove anos ausente das prateleiras, a Sharp do Brasil quer (e precisa) voltar. Foram três diferentes tentativas de reiniciar a produção local e finalmente os primeiros equipamentos produzidos no Brasil começam a reaparecer no varejo. A princípio, empresas terceirizadas são responsáveis pela fabricação, mas a primeira unidade, possivelmente na Zona Franca de Manaus, pode ser inaugurada em breve. “De acordo com a demanda do mercado nacional, a companhia estudará a implantação de uma fábrica própria”, confirmou à DINHEIRO Guilherme Coletti, diretor-executivo da Divisão de Produtos de Consumo da Sharp. A responsável pelo retorno da Sharp ao Brasil é a MPE, uma empresa criada pela japonesa Mitsui & Co Ltda. (80%) e pela Mitsui Brasileira Importação e Exportação S.A. (20%), que obtiveram da Sharp Corporation a representação da marca no País.

Com 60 anos de existência, a Sharp Corporation é uma referência entre as empresas de tecnologia no mundo – tornou-se a terceira maior fabricante mundial de tevês de LCD, depois apenas da Samsung Electronics e da Sony. No entanto, é preciso fazer uma série de ressalvas. Os tempos são outros e isso pode fazer toda a diferença para a marca. “Os desafios serão grandes e não acho que a Sharp terá vida fácil só por ser reconhecida lá fora“, afirma José Roberto Martins, consultor da GlobalBrands. Tem mais: o nível de ociosidade das fábricas dos concorrentes em Manaus tem se mantido em 30%. “Hoje temos muitas fabricantes com capacidade de produção maior do que a demanda”, afirma o consultor Alan Cardoso, da corretora Ágora.

O fato é que o mercado brasileiro de eletroeletrônicos mudou radicalmente num curtíssimo espaço de tempo. Ao mesmo tempo em que o País despontou como um promissor mercado consumidor – na esteira do crédito a rodo e juros menores -, conglomerados como LG, Samsung e Sony tomaram conta das prateleiras das lojas. Marcas desapareceram (Gradiente) e outras encolheram (Semp Toshiba). Além disso, depois de tanto tempo ausente, a japonesa tem baixíssimo nível de lembrança entre a nova geração aficcionada por tecnologia. No último episódio envolvendo a marca, havia uma disputa pelo uso do nome. Desde o pedido de concordata da família Machline, em 2000, os japoneses brigavam na Justiça para reaver o controle da marca no Brasil. Ela acabou excluída da massa falida e os controladores ganharam o direito de uso. Nessa nova Sharp, a estratégia central passa pelo reforço da imagem de companhia inovadora. A importância da inovação é crucial nesse momento para ganhar escala no País“, diz Martins. A matriz decidiu trazer ao País neste ano a linha de tevês de LCD Aquos, apresentada como a “mais fina do mundo”, na feira mundial do setor, em Berlim. “A linha Aquos será nosso carro-chefe para ganhar participação no mercado brasileiro”, diz Coletti.

Share
Close Menu