Nem mesmo Peter Drucker foi capaz de prever o estágio atual de valorização das empresas na era pós-capitalista. Ele acertou ao prever que o conhecimento seria dominante no novo Capitalismo, mas nem chegou perto de imaginar como isso influenciaria na valorização dos negócios.
As pesquisas realizadas pela GlobalBrands desde 1999 olham para esse novo mundo, e tentam dimensionar o nível de valorização das organizações em pleno reinado dos ativos intangíveis, os quais incluem marcas, conhecimento e direitos contratuais diversos.
O mercado está certo? Muitos analistas acreditam que o mercado está com a razão quando se trata de definir o preço das empresas. Pode ser que esteja em alguns casos; em outros nem tanto. O mercado já investiu loucamente nos junk bonds de Michael Milken nos anos 80, inflou mais de uma bolha na internet e, recentemente, também no mercado subprime norte-americano, isso para ficarmos apenas em três exemplos bastante conhecidos.
Inclua na lista histórias parecidas com os casos Enron e Worldcom e você verá que nem sempre o mercado é capaz de acertar as suas previsões, especialmente em relação ao valor e fatores invisíveis de riscos das organizações.
O mercado é bastante ansioso por resultados. Independentemente dos riscos envolvidos, ninguém quer perder o trem das novas Amazon e Google, as quais, segundo os critérios clássicos de avaliações de negócios, receberam quantias aparentemente insensatas por serem negócios sem experiência no velho mercado.
O preço impossível Nenhum ator desse novo ambiente pode ousar avaliar empresas e negócios sem levar em conta a nova matemática do insensato. Afinal, quais critérios devem ser utilizados quando se pretende comprar ou investir em uma empresa da economia pós-capitalista?
Em 05 de novembro de 2007 vimos na BBC Brasil que o valor das ações da petroleira chinesa PetroChina fechou com valorização de mais de 163%, isso no seu primeiro dia de negociações na Bolsa de Xangai. Esperava-se que o mercado pagaria R$3,90 por ação. Todavia, na abertura, o papel já era vendido a R$11,40.
Uma valorização de 192% em um único dia não é um acontecimento sensato. Mas ele não impediu que a companhia se transformasse nesse dia na maior empresa do planeta, atingindo o valor estratosférico de um trilhão de dólares! Os analistas opinaram que a PetroChina estaria sobrevalorizada. Então, qual seria o valor da nossa Petrobras?
Em 31 de outubro de 2007 o mercado brasileiro acreditava que a empresa valia R$343,2 bilhões. Mas esse número só levava em conta as impressões gerais positivas e negativas do mercado, e não os fatores invisíveis da Petrobras, os quais têm valor e precisam ser remunerados, segundo as novas métricas da economia pós-capitalista.
Os nossos estudos indicam que em 31/12/2006 o capital intangível da Petrobras valia R$1.292 bilhões. A diferença é muito grande, mas pode fazer mais sentido que a aposta escura na PetroChina, que vale mais que a Exxon Mobil, mesmo apresentando cerca da metade dos lucros.