Intangíveis: Proposta de senadora norte-americana para ajudar empresas de pesquisa, desenvolvimento e inovação

Senadora dos Estados Unidos apela para que o Congresso inclua as empresas ligadas à produção de ativos intangíveis para receberem parte da ajuda do plano de recuperação da economia. A notícia é um alento, mostrando que políticos e economistas estão despertando para a importância de negócios ligados à pesquisa, desenvolvimento e inovação. Áreas que vêm remodelando a idéia de economia.

Por José Roberto Martins – 21 de março de 2009

Um grupo de senadores americanos, liderado pela senadora Olympia J. Snowe propôs ao senado dos Estados Unidos emenda que inclua no plano de recuperação econômica do presidente Barak Obama as empresas ligadas a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

A proposta prevê a expansão da definição do termo manufatura, aplicado ao definir as indústrias atendidas pelo programa, para incluir a produção de propriedade intangível, ou indústrias de base de conhecimento, tais como software e biotecnologia.

Ela destaca que não existem dúvidas de que as indústrias americanas precisam se expandir e inovar para superar a crise econômica e enfrentar a concorrência global. Lembra que na última década apenas o estado do Maine perdeu 28% da sua força de trabalho na indústria. Alega que estados com grandes opções de desenvolvimento e incentivo para a os investimentos em novas indústrias irão gerar empregos bem remunerados por todo o país.

O incentivo, por exemplo, ajudará a criar empregos no estado de Massachusetts para negócios em áreas críticas para o futuro econômico dos Estados Unidos, como a biotecnologia.

A mudança na legislação, argumentam os senadores, permitirá que pequenas empresas de ponta se desenvolvam ao obterem crédito em condições mais vantajosas.

É um alento que os políticos tenham despertado para a importância dos negócios ligados à PD&I. Num momento em que se fala que é a “economia real” que causará a recuperação econômica, poucos se lembram de definir o que, de fato, é esta economia real. Se estiverem falando das indústrias automobilísticas que ainda produzem carroças de seis e oito litros com mais de uma tonelada, e de bancos que só sabem captar dinheiro a 70% do CDI e repassá-lo a 300%, melhor mesmo é que esta economia real continue no fundo do poço.

Melhor é continuar o que já se provou que dá certo. O sucesso da Apple, que tem suas raízes nas inovações das comunidades peer-to-peer, serviu para bem poucos para comprovar que o futuro está nas atividades de PD&I. As pessoas querem inovação, e os sucessos do iPod e iPhone, por exemplo, comprova isso. De fato, todo mundo quer um futuro melhor, com produtos e serviços melhores, bem sacados e adiante até do que imaginamos. Estamos todos dispostos a pagar por inovação. O problema é que ela é escassa, mas não na fonte. Existem muitas empresas inovadoras prontas para entregarem resultados surpreendentes, mas o sistema se tornou imbecilizado. Compramos, na verdade, um monte de porcarias, de empresas absolutamente ultrapassadas.

Marcas poderosas estão morrendo ou prestes a morrer. Eram falcatruas de seu tempo, embora possuam marcas que continuam a figurar em muitas listas como as mais valiosas. Marcas, muitos se esqueceram, não são feitas apenas de números. São, tudo indica, estruturas voltadas para o mercado de forma completa; inteligente.

Os bancos não podem ser inovadores ou engajados ecologicamente apenas nos comerciais de TV. Bancos devem ser administrados por banqueiros com tino para os negócios, e não para a malandragem. Indústrias não podem ser boas apenas de design se este não vier acompanhado de transformações profundas, que tornem o mundo realmente um lugar melhor.

Tudo isso exige inovação, é claro. Antes, porém, requer pessoas que pensam de maneira diferente, em todos os campos da economia. Nós não podemos continuar a consumir sob o modelo antigo, ou jamais encontraremos o novo caminho que precisamos.

Vemos um tom de apelo na proposta da senadora Olympia J. Snowe, como que um sinal de jogar a toalha da “economia real” e reinterpretá-la de modo sensato, para que as pessoas realmente prestem a devida atenção aos negócios e oportunidades reais ligadas à PD&I. Os políticos brasileiros certamente terão muito a ganhar se seguirem a idéia, antes que o pior de lá chegue por aqui. E ele está chegando.

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