Itaú e Unibanco anunciam fusão – Diário de Natal

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Diário de Natal, quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

O Itaú e o Unibanco anunciaram ontem a fusão de suas operações, uma união que, em curto prazo, não afeta os correntistas, mas sim o mercado. A operação cria o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul e os eleva, juntos, à posição de maior banco do país e de 17º no mundo. ‘‘É o primeiro passo para nos tornarmos global players’’, disse em teleconferência Pedro Moreira Salles, presidente do Unibanco, sobre o apetite das companhias para galgar espaço lá fora.

No Rio Grande do Norte, apenas o Itaú conta com sete agências, das quais quatro na capital e três entre Mossoró, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante. O Unibanco também está presente na capital e na região interiorana do estado. Segundo Salles, a fusão é fruto de conversas que tiveram largada há 10 anos, mas que se intensificaram com o crescimento atingido pelo Santander, após a aquisição do Banco Real. Em comunicado à imprensa, as instituições informaram que foram necessários 15 meses de conversa antes do fechamento do negócio. Os controladores da Itaúsa – braço de participações do Itaú – e Unibanco constituirão uma holding em modelo de governança compartilhada. A presidência do Conselho de Administração ficará com Salles e o presidente executivo será Roberto Egydio Setubal, hoje presidente do Itaú.

A união não deverá provocar demissões nem redução no número de agências, ressaltou Setubal, durante a teleconferência. ‘‘É mais provável que somemos o que temos hoje’’, frisou e pontuou que ainda é cedo para medir os impactos da fusão sobre os clientes. Ele garantiu, entretanto, que os atendimentos continuarão fluindo normalmente. Sinalizou com a possibilidade de integração das redes de caixas eletrônicos, mas a mudança terá de esperar que o Banco Central aprove a operação. Também sinalizou que será mantida a estratégia de atendimento segmentado, utilizada pelas duas instituições, e que, entre as vantagens para os correntistas estará o maior número de ‘‘produtos’ no portfólio e também de pontos de venda.

‘‘Em relação a preços e tarifas vamos ter que analisar, olhando para o mercado’’, frisou o executivo, acrescentando que as companhias também deverão analisar, ainda, que marcas irão prevalecer após a união.

Para o consultor em branding da GlobalBrands, José Roberto Martins, está claro, no entanto, que o que será visto nas agências, após o período de transição – que, estima, vai durar cerca de dois anos – será o nome do Itaú. ‘‘Embora estejam falando que é fusão, é aquisição. O Itaú comprou o Unibanco’’, completou ainda. Avaliando os impactos do negócio no mercado, ele disse que o grande perdedor foi o Bradesco, que dividia a liderança do setor privado com o Itaú. ‘‘Os dois tinham porte mais ou menos parecido. Agora como não existem outros grandes à venda no Brasil o Bradesco ficou com a linha de comunicação prejudicada. Ainda por cima terá de enfrentar a concorrência do Santander, banco que está crescendo e querendo mais.’

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