LG de volta ao jogo

A LG Display desembarca no Brasil e ocupa o espaço deixado pela LG Philips no mercado. Mas a empresa garante: uma coisa nada tem a ver com outra.

Nº EDIÇÃO: 614 | 15.JUL – 10:00 | Atualizado em 24.02 – 15:07 ISTO É DINHEIRO

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Simon lee, vicepresidente: “O mercado brasileiro é muito importante pelo seu tamanho e pelo poder de compra do consumidor”

No dia 5 de julho, durante o jogo do São Paulo contra o Coritiba, os torcedores do tricolor se perguntaram sobre o que seria IPS, nome estampado nas mangas das camisas dos jogadores. As siglas correspondem a “in-plane switching”. E por trás das letras enigmáticas está uma tecnologia de LCD mais avançada do que a convencional. Mas por que a fabricante pagaria por dois patrocínios na mesma camisa, o da LG Electronics e o da IPS? A nova marca, na verdade, corresponde à LG Display, outra empresa do grupo LG. A líder mundial de telas de LCD – possui 26,7% de participação de mercado – escolheu o time de futebol para se tornar mais conhecida no Brasil e, sobretudo, desvincular a imagem de uma empresa da outra. Isso porque, diz a companhia, a tecnologia IPS vai muito além da LG Electronics. A intenção é se tornar fornecedora não só para a LG, mas também de outras fabricantes de eletroeletrônicos. A Philips já fechou contrato para utilizar a IPS. “Somando as vendas para a Philips e para a LG Electronics, vamos alcançar uma participação no mercado nacional de 55%” afirmou à DINHEIRO Simon Lee, vice-presidente da LG Display. Outras parceiras lá fora, como HP, Dell e Lenovo, também podem entrar na lista.

Além da LG Electronics, a LG Display quer desassociar sua imagem de uma outra empresa, a LG Philips Display, fabricante de tubos de imagem para televisores. Em 2007, depois de um período de turbulência financeira, a marca fechou suas quatro fábricas e deixou o País. Trabalhadores da companhia ocuparam a unidade de São José dos Campos (SP) para protestar contra o encerramento das atividades. A direção da empresa chegou a propor o pagamento de apenas metade dos direitos dos funcionários. A LG Display faz questão de frisar que não se trata da nova LG Philips Display. “São empresas completamente diferentes. Peço a gentileza de não confundirem a LG Display com a LG Philips Display”, afirmou a empresa em comunicado.

A companhia tem feito de tudo para entrar no Brasil com outra cara. O contrato com o São Paulo, válido até fevereiro de 2010 com valor de R$ 3 milhões, faz parte dessa estratégia, embora isso provoque alguns riscos, dizem especialistas. “Isso pode fragmentar a força da marca LG no Brasil”, afirma o consultor José Roberto Martins, da GlobalBrands. Lee também aposta nos diferenciais da nova tecnologia para apagar a imagem deixada pela LG Philips na mente dos consumidores (leia o quadro “As vantagens da IPS”). “Para o consumidor, o que conta mais é o que a empresa faz hoje e não o que fez no passado”, afirma Martins, da GlobalBrands.

Com faturamento de US$ 12,7 bilhões no ano passado, a LG Display emprega 25 mil empregados e possui atualmente 12 fábricas na Coreia, China e Polônia. Recentemente, a sul-coreana informou que está avaliando a contrução de uma nova linha de produção de painéis para tevês com telas de cristal líquido. O Brasil pode ser o local escolhido. “É importante ter uma fábrica no Brasil para se tornar mais competitivo. Mas, por enquanto, estamos na fase de estudos”, diz Lee. O interesse pelo Brasil se deve à expectativa de crescimento do mercado de LCD. No primeiro semestre do ano, as vendas de LCD subiram 70% em comparação ao mesmo período de 2008, chegando a 700 mil unidades. As vendas de aparelhos de tubo caíram 35%, para 1,3 milhão de unidades. Além disso, o Brasil é apontado pelo instituto de pesquisa DisplaySearch como um dos principais responsáveis pela expansão do segmento no mundo, ao lado do México, da Índia e Turquia. “O mercado brasileiro é muito importante pelo seu tamanho e poder de compra do consumidor”, afirma Lee, que diz ser fã do calor e da receptividade que encontrou no Brasil – e provavelmente também da paixão dos brasileiros pela televisão.

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