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Marca Uber é melhor que a genérica táxi.

Uso táxis aqui e acolá há muito mais tempo que o serviço Uber. Em Manhattan parecemos aqueles bonecos de borracharia, agitando as mãos na esperança que os táxis parem e, além disso, que o motorista entenda inglês, que esteja de bom humor e que o carro esteja limpo. Como em qualquer lugar, eles também param nas faixas de pedestres e fecham cruzamentos. O comportamento se repete à exaustão em Tóquio, onde a luvinha branca combinada aos forros nos bancos é pura cosmética, pois lá eles também avançam sobre os pedestres na faixa de segurança. Em Paris, a boa surpresa de ter cruzado o caminho de taxistas educados, que até desceram do carro para ajudar com as malas, gentileza comum em Lisboa e Santiago. Em Londres o problema é o preço mais alto, que não corresponde à paciência com os passageiros que não ousarem falar inglês tão bem como os motoristas.

São Paulo é um exemplo ruim, talvez não pior que em Salvador e no Rio, onde não se sabe no que vai dar e quanto vai custar cada viagem após inesperados e indesejados city tours. Em Sampa muitos carros somem na chuva, não param quando estão vazios, ou porque estão na hora do almoço, ou atendendo a chamados de clientes fixos. A maioria dos carros não está limpa, cheira a cigarro e, quando muito, os motoristas perguntam se queremos que liguem o ar condicionado, isso em pleno verão. Sem falar no medo de tomarmos táxis clonados e sermos assaltados.

Normalmente os carros são dirigidos por motoristas despreparados, sem um uniforme que os (nos) orgulhe, principalmente quando não conhecem sequer o bairro em que estão, ouvem a música (sempre chata) que lhes agrada, talvez porque a maioria esteja cansada de pagar diárias elevadas aos donos (ou investidores?) dos carros. Será que eles devem recolher encargos sociais e pagar ISS sobre essas receitas? Para nos oferecerem tudo isso, compram carros com incentivos, jamais emitem recibos (legais), tem vagas exclusivas de graça em espaços públicos para esperarem clientes, e, segundo se ouve, transacionam as suas licenças a preços milionários e de forma ilegal.

Evidentemente existem exceções, mas, na média, não as encontrei em número suficiente a ponto de me causarem uma impressão melhor. Se a maioria chora por causa do Uber, que melhore o serviço, aprenda a trabalhar melhor e ofereça um serviço igual ou melhor, se possível permitindo que os avaliemos com notas em uma plataforma digital de acesso público. Se o choro e a violência ajudassem a combater o avanço da tecnologia, então devemos orar pelos ex-caixas de banco, telefonistas, ascensoristas, jornaleiros, metalúrgicos substituídos pelos robôs, donos de carruagens, dentre tantos que deram lugar a modernidade. Seguiram as suas vidas, de modo geral em condições muito melhores e não menos honradas.

Enquanto o Uber conseguir sustentar os novos padrões aos quais se impôs, não vejo nenhum impedimento adiante que desmotive os bons e legítimos taxistas a compartilharem o mercado com o novo modelo, que, inevitavelmente, terá muitos concorrentes. Quem sabe do modelo renovado pelos próprios taxistas? Por mais que às vezes não pareça, a livre concorrência é o melhor caminho, inclusive para beneficiar a própria inovação. Na verdade, falta branding e renovação ao genérico táxi.

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