Negócios e Ativos Intangíveis no mercado de seguros: Itaú Unibanco se associa à Porto Seguro

Depois de movimentar o mercado financeiro com sua formação, o Itaú-Unibanco dá mais um passo ousado e fecha acordo com a Porto Seguro para formar uma seguradora gigante no mercado. O banco está mandando um recado à concorrência. É o que diz o especialista em ativos intangíveis José Roberto Martins, em reportagem do Jornal do Brasil, que você confere abaixo os melhores trechos. Para ler a íntegra da reportagem, clique no link ao final da matéria.

Nova seguradora nasce com R$ 3 bi

Natalia Pacheco, Jornal do Brasil

O Itaú-Unibanco fechou acordo com a Porto Seguro para assumir 30% de um grupo mais amplo de seguros. O maior banco privado do país vai transferir os ativos e passivos da carteira de seguros residenciais e de automóveis para uma nova empresa, chamada Itaú Unibanco Seguros de Automóvel e Residência, que será controlada pela seguradora.

– As negociações começaram no dia 14. Tudo aconteceu em menos de duas semanas porque as empresas têm a mesma visão do mercado – ressaltou o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal.

A negociação não envolveu dinheiro, apenas transferências de ativos e participação acionária, mas Setubal calcula que o valor da operação seja de R$ 1,7 bilhão. Segundo o presidente, o objetivo da fusão foi criar uma seguradora maior, com mais opções de produtos e preços.

– Serão agregados mais 4.500 novos pontos de vendas do Itaú Unibanco à Porto Seguro. Isso é uma oportunidade única – destacou o presidente da seguradora, Jayme Brasil Garfinkel.

Depois do fechamento desse negócio, Pauzino prevê poucas oportunidades de negócios nesse mercado.

Por isso, as próximas fusões serão bem mais caras, o que vai aumentar a oportunidade de grupos estrangeiros no país.

São os estrangeiros quem vão fechar esses grandes negócios – diz.

Já o presidente da consultoria Global Brands, José Roberto Martins, vê a operação por um outro ângulo. Martins acredita que o negócio é um sinal de que o Itaú Unibanco está atento aos avanços do Banco do Brasil – o maior do país em termos de ativos –, que negocia uma associação com a Sul América Seguros e Previdência.

O banco quis dizer que não está a fim de ser ultrapassado mais uma vez – afirmou Martins.

Além disso, outro movimento captado pelo especialista foi a decisão do Bradesco não levar adiante as negociações com a Porto Seguro.

Para Martins, o banco prefere perder a posição de líder do mercado para não expor a carteira de ativos, mas crescer de forma orgânica, ou seja, ganhar no individual e com isso mais musculatura.

Após a transferência total dos ativos e passivos de seguros em veículos e residências do Itaú Unibanco, os controladores da Porto Seguro e do banco vão criar uma nova empresa, a holding Porto Seguro Itaú Unibanco Participações SA (Psiupar). Os controladores da Porto Seguro vão ficar com 57% da empresa e o banco com os 43% restantes.

Apesar da parceria só dizer respeito à automóveis e residências, o presidente do banco, não descarta negociações com outros tipos de seguros no futuro.

– Ainda estamos nos conhecendo. Mas se o banco quiser novas parcerias, a Porto Seguro será a primeira empresa a ser procurada – afirmou Setubal.

Publicado no Jornal do Brasil em 25 de Agosto de 2009

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