Os templos das montadoras

Como os museus ajudam a preservar a história das marcas de carros e agregam valor aos produtos.

Nº EDIÇÃO: 610 | 17.JUN – 10:00 | Atualizado em 03.03 – 14:20 ISTO É DINHEIRO

O DNA de uma marca é desenhado com o tempo, com a consolidação de uma imagem que transmita ao consumidor confiança, competência, inovação e qualidade. E, mais que isso, que consiga agregar ao valor de seu produto status e tradição. Da criação de uma marca à fixação de sua imagem como ícone, muito trabalho e inúmeros artifícios são colocados em jogo. Algumas montadoras de automóveis atingiram este patamar e não pretendem deixa-lo.

Pensando nisso, marcas como Ferrari, Porsche, Lamborghini e BMW abriram as portas de seus museus, santuários para os veículos que fizeram história. “Estes museus garantem que os carros se tornem mitos, eles fazem com que uma peça se torne objeto de desejo, agregando a ela uma história de tradição”, diz José Roberto Martins, sócio-consultor da GlobalBrands. “Os museus ajudam a tornar estas máquinas altamente desejáveis, pois convencem que você não comprará apenas um carro, mas um bem intangível, repleto de história e prestígio.” A seguir, conheça os principais museus:

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Porsche Museum

Clássicos como o 356 Roadster e outras 80 lendas da marca são mostrados

Em 1948, Ferdinand Porsche criou o 356 Roadster, primeiro carro da marca alemã. Sessenta anos depois, mais precisamente em janeiro de 2008, a Porsche estabeleceu mais um marco histórico e abriu em Stuttgart- Zuffenhausen, Alemanha, o seu próprio museu. No prédio de arquitetura arrojada, estão expostos 80 carros e são apresentadas mais de 200 mostras sobre a montadora. A coleção histórica da Porsche possui 400 carros de corrida e de rua, como os míticos Porsche 356, 550, 911 e 917. Justamente por isso, os itens em exposição no museu são frequentemente trocados, aumentando o fascínio e a curiosidade dos 200 mil visitantes que a Porsche recebe anualmente

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BMW Museum

O prédio abriga alas que apresentam desde a concepção de um veículo da marca até sua história nas pistas

Em meados de 2008, a montadora alemã BMW reabriu oficialmente seu museu, criado originalmente em 1973. Dentro do prédio redondo as rampas e escadas rolantes levam o visitante a viajar pelos mais de 90 anos de história da marca. O prédio é dividido em sete áreas temáticas de exibição, como o House of Design, que introduz os visitantes ao espírito BMW, mostrando o processo de inspiração dos designers e os métodos de criação da imagem da marca; o House of the Company, que apresenta as origens e a evolução da BMW; ou o House of Motor Sport, ala esportiva que relembra as glórias nas competições de automobilismo. O museu ainda dá aos visitantes a possibilidade de conhecer clássicos da montadora, como os modelos Roadster, os Serie 3, 5, 6 e 7, e apresenta as máquinas do futuro, como os visionários carros-conceito movidos a hidrogênio. Sinal de que a marca observa o passado sem deixar de pensar no futuro.

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Museo Lamborghini

Ele traz do tradicional 350 GT, de 1963, ao moderno Concept S, lançamento do Salão de Genebra de 2005

Entrar no museu da Lamborghini, criado em 2001 em Sant´Agata Bolognese, Itália, é como caminhar por um túnel do tempo. De cara, o visitante se depara com o 350 GT, primeiro carro produzido por Ferruccio Lamborghini, em 1963. Ao lado, o 400 GT, apresentado no Salão de Genebra em 1966, e o Miura S dividem espaço com o Islero e o Jamara, carros fabricados entre 1963 e 1972. Para os mais saudosistas, o museu ainda tem os protótipos dos chassis 001 do lendário Countach, de 1978, o primeiro automóvel a ultrapassar os 300 km/h, e o exótico Lamborghini LM 002, um off-road desenvolvido inicialmente para fins militares. O piso superior deste moderno prédio de vidro é destinado ao design Lamborghini. Nele, os visitantes podem encontrar os carros-conceito e os mais exóticos da marca, como o Miura Concept, construído em 2006 para o aniversário de 46 anos da fábrica, ou Concept S, mostrado no Salão de Genebra em 2005.

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Galleria Ferrari

italiana expõe o carro de F-1 com que Michael Schumacher correu seu último campeonato

Relembrar os tempos gloriosos que transformaram carros em ícones. É isto que pretende a Galleria Ferrari, museu da marca italiana de carros e escuderia mais famosa da Fórmula 1. Criado em 1990, ao lado da fábrica da Ferrari em Maranello, Itália, o museu recebe anualmente cerca de 180 mil visitantes ávidos por reviver a história desta lendária marca do automobilismo. Ao passar pela porta de entrada, marcada pelo imponente cavalo, símbolo da Ferrari, as pessoas se deparam com o F2005, carro utilizado pelo heptacampeão de Fórmula 1 Michael Schumacher, quando correu sua última temporada. Ao lado dos bólidos pilotados por Niki Lauda, Gilles Villeneuve e Gerhard Berger, estão fotografias e bilhetes de Enzo Ferrari, criador da marca. Para os fãs interessados em sentir de forma mais real a emoção de pilotar uma Ferrari, um simulador de corridas de Fórmula 1 está à disposição. No segundo andar, a evolução da tecnologia Ferrari é apresentada também nos carros de rua, dos mais antigos e tradicionais, como o F50 e o 550 Barchetta Pininfarina, às novas máquinas, como o F430. Filmes e exposições itinerantes recontam a história dos homens, máquinas e momentos que fazem da Ferrari, desde 1929, um sonho de consumo de incontáveis fãs.

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