Perdigão compra a Sadia

Marca Sadia, “a mais valiosa” segundo as listas de valor das marcas, é engolida pela eficiente Perdigão. Em matéria da IstoÉ Dinheiro, sobre a compra da Sadia pela Perdigão e formação da Brasil Foods, o fundador da GlobalBrands afirma que as duas marcas deverão conviver de forma paralela.

Leia abaixo trecho do artigo Uma fusão com a cara de Lula, de Leonardo Attuch e Adriana Mattos, publicado em 15 de maio de 2009. O artigo completo pode ser encontrado no site da revista.

Uma fusão com a cara de Lula

Na hora de unir Sadia e Perdigão, foi o presidente quem empurrou a bola para o gol, consolidando o modelo das grandes multinacionais brasileiras, abençoadas pelo BNDES.

Na tarde da terça-feira 12, o presidente Lula estava eufórico. Corintiano fanático, ele veio a São Paulo para um encontro com o jogador Ronaldo, artilheiro do seu time. No fim da conversa, Lula quis posar para uma foto com o Fenômeno como se ambos estivessem fazendo malabarismos com a bola. Na primeira tentativa, Lula errou e cabeceou para baixo, direto na mesa central do seu gabinete da avenida Paulista, na sede do Banco do Brasil. Ronaldo sorriu e ensinou o presidente a cabecear para cima. Feito o clique, que no dia seguinte apareceria na primeira página de todos os jornais, Ronaldo e o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, saíram da sala. Do lado de fora, estava o ex-ministro do Desenvolvimento e presidente da Sadia, Luiz Fernando Furlan. Lula o recebeu com um abraço fraterno, mostrou-se feliz com o avanço das negociações para unir Sadia e Perdigão e disse que era chegada de hora de desempatar o jogo. “E então, Furlan, quando vamos colocar a bola para dentro do gol?”, indagou o presidente. Naquele instante, estava selado mais um grande negócio que nasce com a marca do governo Lula. Juntas, Sadia e Perdigão, que já vêm sendo chamadas de “Sadigão”, formarão uma autêntica multinacional brasileira, que se chamará Brasil Foods, com receita anual de R$ 22 bilhões e 100 mil empregados. Um dos sócios deverá ser o BNDES, repetindo um modelo já testado em outras operações, como as fusões entre Oi e Brasil Telecom e entre VCP e Aracruz Celulose.

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Se a gestão da Perdigão engolir a da Sadia, o nível de autonomia dos novos executivos na empresa a ser criada tende a crescer. O que talvez não mude muito é a batalha com o varejo. “Ambas apertam de todos os lados e isso só vai piorar. Toda a compra de itens de Natal vai estar agora nas mãos deles. Mandei minha equipe ir atrás de peru de Natal no Canadá e na França”, conta um diretor de perecíveis de uma rede varejista. O varejo já aguarda um novo planejamento estratégico das marcas. Cada segmento de produto terá uma marca principal a ser trabalhada, acreditam os analistas. As duas marcas devem conviver de forma paralela no Brasil e lá fora. A mais fraca de cada segmento sumirá e deve ficar a de maior expressão em cada produto”, disse José Roberto Martins, sócio da GlobalBrands. Mas diminui a percepção de que a Sadia deve focar sua linha na classe A e a Perdigão nas classes B e C. “Se fizerem isso, que ganhos de sinergia terão?”, questiona Rafael Cintra, analista da Link Investimentos.

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