Um empresário de visão

O jovem Marcos Amaro vai criar a Op Art, uma grife brasileira de óculos de luxo. Os clientes enxergarão com bons olhos?

Nº EDIÇÃO: 621 | 02.SET – 10:00 | Atualizado em 04.02 – 17:08 ISTO É DINHEIRO

Marcos Amaro, 24 anos, filho caçula do comandante Rolim, o lendário empresário que criou a TAM a partir do zero, pode dizer que carrega do pai uma característica fundamental para qualquer empreendedor: a visão. E é, literalmente, de olho no mercado ótico que ele tem vislumbrado grandes oportunidades. Primeiro, ele montou a World of Luxury e passou a importar óculos das grifes Tag Heuer e Alain Mikli; depois, mais precisamente há um ano, comprou a rede de óticas Carol por estimados R$ 60 milhões; e agora se prepara para alçar voos mais altos. Ele vai criar uma grife de óculos de luxo 100% brasileira com lojas próprias e exclusividade na distribuição de modelos internacionais. Batizada de Op Art, diminutivo de optical art, ela consumirá investimentos de R$ 10 milhões em marketing e na abertura de cinco pontos de venda nos endereços mais exclusivos do País, ainda neste ano. “Até 2014, abriremos 50 lojas e vamos faturar R$ 80 milhões”, revelou Amaro com exclusividade à DINHEIRO. O objetivo do projeto, que nasce com a consultoria da agência de publicidade W/Brasil, é atingir o público consumidor de alto poder aquisitivo. “Pesquisamos muito e vimos que não há lojas com tíquete médio acima de R$ 250 no Brasil”, diz Amaro.

O nome da nova grife é inspirado na chamada Optical Art, um movimento artístico nascido nos anos 60 e que tem como principal função provocar as mais diversas sensações ópticas. “A grife Op Art será vista e entendida como a arte em forma de óculos”, diz Fábio Meneghini, diretor de criação da W/ Brasil que trabalhou no projeto de construção da marca. A concepção das lojas será nos moldes de experimentação, cada cliente poderá puxar os óculos das prateleiras e usá-los no rosto no estilo da marca Chilli Beans. Aliás, comenta- se no mercado que, antes de iniciar o projeto da Op Art, Amaro reuniu-se diversas vezes com Caito Maia, o dono da Chilli Beans, para tentar comprá-la. De acordo com fontes ouvidas por DINHEIRO, Maia teria pedido cerca de R$ 100 milhões pela grife, valor que teria sido considerado muito alto. Indagado sobre o assunto, Amaro desmente. “Não tive conversas com o Caito”, diz. Diante do negócio frustrado, ele partiu para o plano B e criou o conceito a partir do zero. Inicialmente, serão apenas lojas próprias e a abertura de franquias será analisada futuramente. Cada ponto de venda terá óculos exclusivos da italiana Luxottica, que licencia a fabricação de modelos Salvatore Ferragamo, Prada, Versace, entre outros. “Também teremos a exclusividade na venda de óculos das marcas Burberry, Persol e Oliver Peoples”, avisa Amaro.

Além de vender marcas estrangeiras, ele também vai ter modelos com a grife Op Art. “Ainda estamos em processo de desenvolvimento”, diz Amaro. Ao entrar com força total com uma marca própria, o empresário busca explorar o segmento de maior participação no setor. “Os óculos de sol representam 34% das vendas totais da indústria”, diz Bento Alcoforado, presidente da Associação Brasileira de Produtos e Equipamentos Ópticos (Abióptica). Dados da entidade apontam que o setor movimentou R$ 12 bilhões no ano passado e deverá fechar 2009 com crescimento de 10%. Pegar carona nesse crescimento, contudo, não será fácil. Além de a maioria dos consumidores de alto poder aquisitivo comprar óculos no Exterior, a concorrência no setor óptico é muito acirrada. “Se ele quer se estabelecer, terá de oferecer um serviço muito exclusivo”, diz José Roberto Martins, da consultoria GlobalBrands. “Vai depender do design e do posicionamento da grife.”

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