Uma bola na marca do pênalti

Jabulani, a bola oficial da Copa, recebe uma enxurrada de críticas, mas o que está em jogo é a rivalidade entre as fabricantes de material esportivo.

Nº EDIÇÃO: 661 | Especial | 03.JUN – 21:00 | Atualizado em 03.06 – 17:22 ISTO É DINHEIRO

Os times ainda nem entraram em campo, mas a disputa entre Nike e Adidas já começou. A bola da vez tem o nome de Jabulani – palavra do dialeto bantu isiZulu, um dos 11 idiomas oficiais da África do Sul,  que significa celebrar. “Patricinha” (que não gosta de ser chutada, segundo o volante Felipe Melo) e “sobrenatural” foram apenas alguns dos adjetivos atribuídos pelos jogadores, especialmente os brasileiros, à bola que será usada nos jogos da Copa de 2010.

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Rivalidade: até agora, foram os jogadores da Nike que reclamaram da bola da Adidas
Júlio César, goleiro da Seleção Brasileira, disse que ela é “horrorosa” e mais “parece aquelas que se compram em mercado”. O meia Júlio Batista afirmou que ela “faz curvas demais”. E por aí vai. Mais leve, mais rápida e mais lisa do que qualquer modelo já fabricado para uma Copa do Mundo, a Jabulani parece ter silenciado até as estridentes vuvuzelas (cornetas sul-africanas) nas reclamações que precedem o evento. Mesmo antes do início dos jogos, a bola se tornou o objeto que faltava para reacender a rivalidade entre Nike e Adidas.

Para as grandes fabricantes mundiais de material esportivo, a Copa do Mundo é de longe o evento de maior visibilidade. Não há outra oportunidade que ofereça tamanha exposição. Por isso mesmo, a controvérsia em torno da Jabulani envolve uma questão que transcende o aspecto meramente esportivo. “Quem está criticando são os contratados da Nike”, diz José Roberto Martins, analista da GlobalBrands.

Pura coincidência ou teriam sido eles instruídos a destruir com palavras a bola da Copa? Impossível saber, mas a hipótese não pode ser afastada. Segundo Martins, a polêmica dificilmente vai afetar o desempenho da marca. Ele lembra do episódio da chuteira Nike que Ronaldo usou na última Copa e que teria causado bolhas em seus pés, segundo afirmações do próprio jogador.

À época, a Nike não sofreu nenhum efeito negativo. Agora, o que está em jogo são cifras astronômicas. Na última Copa, em 2006, a Adidas faturou US$ 1,2 bilhão só com futebol. Boa parte do dinheiro veio da venda de 15 milhões de bolas oficiais.

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